Gestão de Produto
Existe uma diferença enorme entre criar um produto do zero, dono de tudo, e chegar num produto que já existe, com time formado, histórico e decisões tomadas antes de você aparecer. É a diferença entre fundar e assumir — e é o que separa o portfólio de quem fez um curso do portfólio de quem consegue ser útil na primeira semana de um time novo.
De onde este curso parte
O Ciclo Básico te ensinou a criar um produto do zero, a partir da sua própria ideia — você era dono de tudo e não herdou nada de ninguém. Aqui é o contrário: você chega num produto que já existe, com time formado, histórico, stakeholder com opinião, dívida técnica e decisões tomadas antes de você aparecer.
Isso muda o que o curso precisa te ensinar. Você já saiu do Básico sabendo priorizar com RICE, montar árvore de oportunidades, registrar decisão, ler métrica e escrever user story. Quase nada disso é conceito novo aqui. O que é novo é o contexto: stakeholder que quer outra coisa, dado que contradiz a sua intuição, time que já tem jeito próprio de trabalhar, e decisão antiga que ninguém sabe explicar.
O dia a dia real da carreira
Montado a partir do que a carreira faz de verdade
Duas verdades que quase nenhum curso conta e que este assume desde o começo: a maior parte do trabalho é comunicação, não documento, e quase toda decisão é tomada com menos informação do que você gostaria de ter.
O que você vai entregar
Artefato é o que se entrega na mão de alguém
Não habilidade que se declara no currículo. Agrupados pelo momento do trabalho:
Chegar e se situar
Descobrir
Decidir
Escrever
Entregar
Medir e aprender
Comunicar
Inegociável
Diagnóstico de chegada
porque é literalmente a primeira semana de todo emprego
Inegociável
Registro de decisão
porque é o que separa quem pode ser auditado de quem só lembra a própria versão
Inegociável
Recusa fundamentada
escrever um não com motivo e alternativa é a habilidade mais difícil da função
Os três projetos
Você não trabalha num projeto só
São três, em paralelo, e cada um cobra o que só ele consegue cobrar.
Uma empresa fictícia
Onde dá pra errar sem custo: dinheiro, crise e um stakeholder que não aceita não. Os cases são situações reais de empresas de verdade, ficcionalizadas — nome, setor e escala mudam, a estrutura da decisão e o desfecho ficam. É o único dos três com receita, porque os produtos do Corre são gratuitos.
Um produto do Corre que já existe
Gente real decidindo, dado real, dívida técnica real, um funil que você consegue medir de ponta a ponta. É o único com história: dívida técnica só existe onde houve decisão antiga.
Um produto que o Corre ainda não tem
Folha em branco, sem viés e sem dívida técnica nenhuma — a única vez na carreira em que isso acontece. A maioria fica como estudo, e os melhores o Felipe lança, com você como owner da solução.
Os três projetos, bloco a bloco
12 blocos. Cada um passa nos três projetos.
O que muda é o que cada contexto permite entregar — e dizer por que não dá é a entrega certa daquela célula. O curso fecha onde começou: o bloco 12 volta à análise do bloco 1, agora com número.
Análise de entrada
Produto real do Corre
Matriz CSD com fonte em cada linha, one-pager pra liderança, objetivo e visão do produto declarados. É o baseline que o bloco 11 vai comparar.
Empresa fictícia
Diagnóstico de leitura: separar o que o case afirma do que o case supõe. Limite: o case é a única fonte, não há a quem perguntar.
Produto que não existe
Diagnóstico do problema, não do produto: o que se sabe da dor, o que é suposição. Limite: quase tudo é suposição, e nomear isso é a entrega.
O terreno em volta
Produto real do Corre
Mapa de stakeholders com no mínimo 5 pessoas reais e matriz de influência, mais alinhamento conduzido de verdade. Leitura de mercado e modelo de negócio inferido.
Empresa fictícia
Stakeholders do case e leitura de mercado sobre os concorrentes que ele traz. Limite: stakeholder de papel não reage nem muda de ideia.
Produto que não existe
Quem resolve essa dor hoje, mesmo que mal, e hipótese de modelo. Limite: não há modelo praticado pra inferir.
Discovery: o problema
Produto real do Corre
Entrevistas com usuários reais, árvore de problemas com pelo menos três camadas de porquês, e o mapa de jornada.
Empresa fictícia
Árvore de problemas sobre as avaliações e o feedback que o case entrega, mais o canvas de contexto do produto. Limite: só dá pra ler o que já foi coletado.
Produto que não existe
Discovery Sprint: definição do problema, assumptions smash e o encadeamento das atividades. Limite: não existe usuário do produto, mas existe gente com a dor.
Discovery: a oportunidade
Produto real do Corre
Árvore de oportunidades ancorada no dado do bloco 1, mais o plano de discovery contínuo que você roda até o bloco 11.
Empresa fictícia
Árvore a partir dos OKRs do case. Limite: nada dá pra validar, só priorizar no papel.
Produto que não existe
Árvore do produto novo, onde a oportunidade ainda é aposta.
Decisão e priorização
Produto real do Corre
As 3 iniciativas de maior impacto, cada uma com título, objetivo, métricas, critério de sucesso e de falha, riscos, dependências e priorização.
Empresa fictícia
Priorização sob pressão, com o mentor no papel de stakeholder que insiste: a recusa fundamentada ao vivo e depois por escrito. Mais a decisão sobre a funcionalidade zumbi.
Produto que não existe
Recorte do MVP. Limite: decidir sem dado nenhum, e o critério declarado é a única defesa que sobra.
Dinheiro: a conta fecha?
Produto real do Corre
Business case da iniciativa escolhida no bloco 5: custo do time contra retorno esperado.
Empresa fictícia
Unit economics e precificação, porque é o único com receita.
Produto que não existe
Custo de construir contra impacto esperado. Limite: receita zero ou indireta — nem toda conta é financeira.
Roadmap e comunicação
Produto real do Corre
Roadmap em duas versões do mesmo conteúdo, a do time e a do executivo, e você defende por que cada uma omite o que omite.
Empresa fictícia
Roadmap amarrado aos OKRs do case.
Produto que não existe
Roadmap com marcos de descoberta, não de funcionalidade. Limite: não se planeja entrega do que ainda não se sabe se resolve.
Escrita
Produto real do Corre
PRD de produto e user story em backlog interconectado, com vizinha e com o que já está operacional declarado.
Empresa fictícia
PRD de funcionalidade. Limite: não há vizinha nem “já operacional” pra referenciar.
Produto que não existe
User Story Mapping: dividir o produto novo em jornadas, e escrever a user story de uma delas.
Execução
Produto real do Corre
Sprint sobre o backlog real com o mentor no papel de time (planning, refinamento e review), acordo de time, e inventário de dívida técnica.
Empresa fictícia
Planejamento de sprint com a capacidade que o case dá. Limite: não roda de verdade, então não se descobre o que quebra.
Produto que não existe
Lista do que precisaria existir antes de começar. Limite: dívida técnica é zero, a única vez na carreira em que isso acontece.
Lançamento
Produto real do Corre
Plano de release de uma funcionalidade nova, rollout com critério de entrada por fase, condição de lançamento verificável antes de apertar o botão.
Empresa fictícia
Desafio de contingência: o sistema cai por falha no servidor central. Você monta a jornada e o plano de ação da descoberta até a resolução.
Produto que não existe
Plano de lançamento sem público. Limite: sem base instalada o faseamento não é por porcentagem, é por tipo de usuário.
Volta à análise
Produto real do Corre
Mapa de eventos, dois objetivos com dois resultados-chave cada, três métricas, experimento com critério declarado antes, post-mortem de algo que não pegou. O dado vira três slides ligados às oportunidades mapeadas.
Empresa fictícia
Análise sobre o histórico que o case entrega.
Produto que não existe
Plano de medição escrito antes de o produto existir. Limite: não há o que medir, e escrever o que medir antes é o artefato mais realista da carreira.
Banca, fecho e carreira
Produto real do Corre
Defesa na banca com o registro de decisões inteiro na mesa, mais o plano de carreira com visão de futuro e a leitura de onde você está na escada de senioridade.
Empresa fictícia
Entra na defesa como contraponto: o que foi decidido com contexto completo.
Produto que não existe
Carta de próximos passos: o que descobriu, o que decidiu não fazer, o que ainda não sabe, o que faria com mais três meses.
Como funciona
O Curso Especialista não tem turma nem semana fixa. Você avança no seu ritmo. Isso não é facilidade, é exigência: sem ninguém cobrando por fora, o curso pede profissionalismo, interesse de verdade e capacidade de se organizar sozinho — essa autogestão já é parte do que se avalia.
Seu mentor não fica de fora observando. Ele entra em cena: vira a liderança que recebe seu one-pager, o stakeholder que insiste, o executivo que só tem cinco minutos, o dev que faz a pergunta que sua user story não responde, e o time no planejamento quando não cabe tudo no sprint. Você não estuda a situação, você enfrenta ela, e depois registra o que decidiu.
E artefato aqui não é entregue uma vez e esquecido. Vários voltam mais adiante, atualizados porque o curso avançou e o mundo mudou no meio. Entregar a versão 2 sem mostrar o que mudou desde a 1, e por quê, reprova.
Pré-requisito
Ciclo Básico concluído, ou experiência já cadastrada no perfil
Pra se candidatar, você precisa de um dos dois: ter concluído o Ciclo Básico com certificado, ou já ter experiência de trabalho cadastrada no seu perfil — inclusive currículo importado.
